Enfim, nascemos. Entramos nesse mundo novo, do qual nada sabemos ou conhecemos. Nos admiramos em tudo, rimos de tudo, somos um bebê! Com sons até então desconhecidos, achamos-o extraordinários. Enfim, crianças, brincamos, descobrimos, somos curiosos, perguntamos sobre tudo! Queremos entender como funciona, porque devemos fazer isto e aquilo, porque as coisas são assim e assim. Opa! Vi um "Au au" pela primeira vez. Corro atrás dele, faço escândalo, descubro que aquele bichano está em todo o lugar, em quase todas as casas. Mimada, peço todos os dias um "au au" pra mim!
Enfim, adolescentes . Já temos nossos gostos, sabemos o que queremos para comer no jantar, uma bela pizza! Odiamos a escola e toda aquela coisa entediante. Não ficamos tão contentes como antes, ao ver um au au. Afinal, acostumamos. Antes, era tão fácil ser feliz! Ir ao parquinho, brincar, pular, era tão divertido! Sonhar com a boneca barbie ou o carrinho de controle remoto no Natal. Sentir-se ansiosa para chegar logo em casa, e poder comer aquela bolacha tão gostosa que teve de convencer a mãe a comprar, alegando que não comeria antes do jantar.
Tudo se torna tão difícil e percebemos que o que nos deixaria mesmo felizes, seria o amor. A única coisa do qual ainda não experimentamos da forma com a qual gostaríamos! Somos curiosos! Queremos sentir, entender, ter prazer. De repente, podemos ver o amor como algo que nos deixaria bem. Não conseguimos mais ter a felicidade tão facilmente como antes, sendo criança. Não somos mais inocentes! Sabemos da crueldade do mundo, das responsabilidades. Ter alguém para nos fazer felizes, nos fazer sorrir, abraçar-nos quando estivermos tristes... Passamos a depender disso. Admiro a criança, que ela própria é capaz de proporcionar sua felicidade, brincando, descobrindo, etc. Os adolescentes acham que agora depende dos outros, depende de um amor, depende de bons amigos, popularidade, ser querida. Ter os pais perfeitos que deixam sair no final de semana, depende sempre dos outros!
Queremos tanto que chegue logo os 18 anos, poder ter seu próprio dinheiro, casa, poder sair a hora que quiser e voltar tarde, ouvir som alto sem berrarem para você abaixar, (tirando os vizinhos chatos que batem na sua porta). Achamos que seriamos felizes assim, que ilusão! O ser humano sempre quer mais e mais e mais, nunca se contenta com nada! Até quando tem, não tem!
Olho para o céu, está ficando completamente de noite, mas ainda há nuvens claras, deixando uma vista linda. Antigamente, não sabíamos que a Terra era redonda, girava em torno do Sol, e quando não estava para o Sol, ficava uma parte escura da Terra e se tornava noite! Antigamente, as pessoas fantasiavam sobre o céu, sobre as estrelas, inventavam coisas, histórias! Agora a ciência explica.
Agora ficou difícil se admirar nas pequenas coisas, agora tudo é um caos, ligo a TV e vejo o jornal, que notícia horrível, que mundo feio.
A verdade é que eu sou esse tipo de adolescente, como a maioria. Posso saber das coisas, pensar muito sobre elas e ser inteligente. Mas eu também sou normal! As pessoas acham que sou forte, eu não sou! Não sou forte com nada, nem com a morte de meu pai, que já faz 11 anos! Pelas coisas que sei dele, não o admiro. Mas nem o conheci! Olho um pai pegando sua filha pequena no colo, girando-a. Eu não tive aquilo, me sinto mal. Eu não sou forte, eu também posso ser fútil e patética como todo mundo. Sou um ser humano, sou uma adolescente cheia de coisas pra me atormentar. Eu também caio, eu fico mal quase o tempo todo! Talvez seja porque eu sei tanto sobre as coisas, porque perdi tanto a inocência, porque eu existo e questiono as coisas ao meu redor...
Mas o fato é que as pessoas tem que parar de se surpreenderem com isso, e se eu aparecer morta um dia, por aí porque me matei, não se surpreendam, as coisas são assim! O mundo é assim.
Porém, não vou deixar que o mundo me derruba. Eu vou melhorar, sei que vou. Voltarei a escrever, a ter sonhos, voltarei a admirar-me nas pequenas coisas. Não vou deixar minha criança morrer, como alguém me aconselhou a fazer.
Não escrevi isto para desabafar e as pessoas que me conhecem entenderem o que sinto. Escrevi isto para quem quer que seja, quando ler, tire algo disso. Tire alguma conclusão boa para si , mesmo que no começo ela seja ruim. Você vai parar pra pensar e entender, vai viver! Assim espero.
Felicidades a vocês, a quem for.
Ass: Vanessa Discini


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